L7nnon revelou no vlog do Filipe Ret que já gastou R$2 milhões em um videoclipe que mal retornou 2 milhões de views. Enquanto isso, "Perdição", que custou R$3 mil, ultrapassou 350 milhões de visualizações. A conta não fecha, né? Então será que vale a pena investir em videoclipe em 2025?

Bem-vindo(a) à quinta edição de Decifrando o Marketing Musical! Hoje vamos destrinchar um dos debates mais quentes do mercado: o papel real do videoclipe na estratégia de carreira. Spoiler: a resposta não é simplesmente "sim" ou "não", mas entender onde o clipe se encaixa no seu funil de marketing.

Da MTV ao TikTok: O que mudou no jogo

Nos anos 90 e 2000, um videoclipe era sua principal porta de entrada para o mainstream. A MTV rodava o mesmo clipe até 10 vezes por dia. Artistas saíam do completo anonimato para o estrelato através da TV. O clipe era descoberta pura.

Hoje, a dinâmica inverteu completamente. O público te descobre através das redes sociais, playlists, rádio, e claro, TV para uma minoria. No meu ponto de vista, o videoclipe desceu um andar no funil de marketing: saiu do topo (descoberta) para o meio (relacionamento), como elaboro na edição sobre funil.

Na prática, funciona assim: a pessoa conhece sua música pelas redes sociais primeiro. Se conecta com o som, salva no Spotify, segue seu perfil. Aí sim, quando já existe interesse genuíno, ela busca o videoclipe para se aprofundar no universo visual que você criou.

É documentação da sua jornada, não mais o megafone de divulgação.

Então vale a pena ou não?

Depende do tipo de videoclipe que você está pensando em fazer e seu orçamento disponível.

Clipe narrativo estilo "era MTV" com roteiro complexo e atores? Provavelmente não. A não ser que faça parte central do seu branding, como Billie Eilish ou The Weeknd, que usam narrativas visuais como extensão da música.

Clipe de ostentação genérica com carros, correntes e objetificação feminina? Definitivamente não. É fórmula desgastada que não gera identificação nem memória.

Audiovisual ao vivo estilo sertanejo e samba? Muito provavelmente sim. Duplas como Jorge & Mateus e grupos de pagode provaram que show gravado funciona: gera conteúdo longo para YouTube, versões alternativas das músicas e transporta toda a energia da apresentação.

Clipe conceitual que constrói sua identidade visual? Sim, se fizer sentido com seu branding. Doechii usa clipes altamente estilizados que reforçam sua persona artística. Tyler, The Creator transforma cada álbum em universo visual único.

O segredo está em entender que videoclipe deixou de ser alcance e virou posicionamento.

Branding visual vs. viralização: A nova equação

Pensa no seguinte: você pode ter 10 milhões de views em um clipe genérico e zero memorabilidade. Ou pode ter 500 mil views em algo autoral que gruda na cabeça das pessoas e solidifica quem você é como artista.

O diretor de audiovisual Monotoshi resume bem: "Videoclipe é uma das ferramentas mais poderosas de posicionamento artístico. Constrói imagem, consolida estética, gera memória afetiva e marca território na cultura. Mesmo que não traga lucro imediato, pode ser o que diferencia um artista qualquer de um artista com identidade."

É exatamente isso. Num mercado saturado onde surgem centenas de artistas por dia, seu diferencial não é só a música. É a estética, a narrativa visual, o universo completo que você oferece para o fã se aprofundar.

Filipe Ret e outros artistas veteranos já entenderam: os clipes filmados com celular, mais crus e autênticos, frequentemente entregam melhor custo-benefício que produções milionárias. Por quê? Porque se conectam genuinamente com o público atual que valoriza autenticidade sobre superprodução.

A estratégia multiformato que faz sentido

Aqui vai uma abordagem inteligente: pare de pensar em "fazer UM videoclipe" e comece a pensar em "criar conteúdo audiovisual multiplataforma".

Com um mesmo dia de gravação, você pode produzir:

Vídeo longo para YouTube: Clipe completo, performance ao vivo ou lyric video estilizado que documenta aquele momento da sua carreira

Pílulas para redes sociais: Recortes verticais de 15 a 60 segundos adaptados para Reels, TikTok e Shorts com chamadas para ação específicas

Making of e bastidores: Conteúdo humanizado mostrando o processo criativo, histórias por trás da música, interações da equipe

Material para ads: Criativos prontos para campanhas de tráfego pago com versões testadas para diferentes objetivos

É sobre maximizar o investimento. Um set de gravação inteligente alimenta sua estratégia de conteúdo por semanas.

Conteúdo autoral + conteúdo de social media: Os dois lados da moeda

A real é que sua estratégia precisa caminhar em duas frentes simultaneamente:

Conteúdo autoral de marca: Videoclipes, sessões ao vivo, projetos visuais que constroem seu legado. São atemporais, ficam no YouTube como documentação da sua evolução. Billie Eilish domina isso, cada clipe é obra conceitual.

Conteúdo de social media: Vídeos rápidos, trends, espontâneos, que mantêm você relevante no dia a dia. Doechii explode nas redes misturando freestyles casuais com clipes altamente produzidos.

Um não substitui o outro. O erro é achar que só viral basta ou que só clipe resolve. Artistas sustentáveis equilibram os dois: consistência nas redes para topo de funil e projetos audiovisuais autorais para meio e fundo.

Como fazer valer a pena: Dicas práticas

1. Saia da mesmice visual
Se for investir, que seja em algo que só você faria. Fuja de fórmulas prontas. Estude a identidade visual de quem te inspira e adapte para seu universo, não copie.

2. Pense multiplataforma desde o conceito
Antes de gravar, mapeie: como esse material vai virar conteúdo para YouTube, Instagram, TikTok e ads? Grave takes extras especificamente para formatos diferentes.

3. YouTube é o segundo maior buscador do mundo
Muita gente esquece: o YouTube não é só plataforma de vídeo, é mecanismo de busca. Pessoas procuram ativamente por artistas lá. Ter conteúdo bem otimizado no YouTube é estratégia de longo prazo.

4. Respeite as linguagens de cada plataforma
O que funciona no YouTube não funciona no TikTok. Vídeo horizontal longo vs. vertical dinâmico. Narrativa pausada vs. impacto imediato. Adapte o mesmo material para cada código.

5. Documente sua evolução
Pensa no clipe como registro histórico da sua carreira. Daqui 5 anos, você vai querer ter esse material documentado. É investimento em legado, não só em views.

Resumão

Vale a pena fazer videoclipe? Sim, mas não como ferramenta de descoberta e sim como investimento em branding e relacionamento de médio a longo prazo.

  1. O clipe mudou de posição no funil: saiu do topo (alcance na TV) para o meio (aprofundamento após descoberta nas redes). Hoje, o público te conhece por viral, playlist e ad, e busca o clipe quando já existe conexão inicial.

  2. A estratégia vencedora equilibra conteúdo autoral (clipes, audiovisuais) com conteúdo de social media (reels, trends, espontâneos). Um alimenta o legado, outro mantém relevância cotidiana.

  3. Pense em produção multiformato: um dia de gravação pode gerar clipe completo, pílulas para redes, making of e material para ads. É sobre maximizar investimento.

  4. Não espere retorno financeiro direto do videoclipe. Encare como investimento publicitário em construção de marca, igual empresas fazem com comerciais de TV. O lucro vem do conjunto: clipe fortalece imagem, imagem gera superfãs, superfãs compram ingresso e merch.

E parabéns por ter chegado até aqui!

E você, já investiu em videoclipe? Qual foi o resultado? Responde este email e vamos continuar a conversa.

Na próxima edição, vamos mergulhar em Estratégia de Conteúdo para Redes Sociais: como manter consistência sem perder autenticidade e transformar seguidores em fãs reais.

Quer estruturar uma estratégia completa de audiovisual para sua carreira? Na Vemus Lab, trabalhamos desde o conceito criativo até a execução de produções que fazem sentido para cada etapa do seu funil. Desenvolvemos roteiros, filmamos e ainda transformamos o material em conteúdo multiplataforma. Se você quer sair do lugar comum e criar algo que realmente represente sua identidade, chama no WhatsApp!

Quem vos fala: Vinícius Pinho, formado em Marketing e Publicidade com especialização em Music Business, mais de 6 anos de experiência em Marketing Digital e co-fundador da Vemus Lab, agência-produtora que atua como motor criativo e promocional para artistas, gravadoras e marcas do entretenimento.

Se você está pronto para dar esse próximo passo, vamos conversar. Pode agendar uma sessão estratégica direto pelo meu calendário ou me chama no Whatsapp!

Fontes e Referências:

Vlog Filipe Ret com participação de L7nnon sobre investimento em videoclipes

Music Business Worldwide - análises sobre consumo de conteúdo musical

Spotify for Artists - dados sobre descoberta musical em plataformas

YouTube Creator Academy - métricas de performance de vídeos musicais

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