A venda de produtos sempre foi parte importante da música, mas hoje se tornou uma das formas mais inteligentes de gerar receita para artistas em qualquer estágio da carreira, do iniciante ao mainstream. A lógica é simples: se você tem uma base de fãs engajada, mesmo que pequena, pode transformar essa conexão em renda previsível.
Kevin Kelly, editor da revista Wired, cunhou a famosa Teoria dos 1.000 Fãs Verdadeiros. A ideia é que você não precisa de milhões de seguidores para viver de música, precisa de mil fãs que gastem em média R$100 por ano com você. Isso já significa R$100 mil anuais só com produtos, fora streaming, shows e outras fontes. É aqui que entra o merchandising: transformar sua identidade artística em produtos que reforçam o senso de comunidade, apoio e pertencimento.
Nesta edição da Decifrando o Marketing Musical, vamos explorar como estruturar uma operação de venda de produtos. Vamos do conceito à prática, passando pelos tipos de produtos, categorias de preço, plataformas de venda, estratégias e cases que mostram como o merchandising pode mudar o jogo para qualquer artista.
O que é merchandising musical e por que ele é importante?
Merchandising (ou apenas merch) é a prática de vender produtos físicos ou digitais que carregam a identidade do artista. Pode ser uma camiseta, um pôster, um vinil ou até mesmo um item digital exclusivo. Mais do que um objeto, o fã está comprando um símbolo de pertencimento à comunidade que você construiu.
No Brasil, o termo costuma gerar confusão: em publicidade e varejo, “merchandising” é usado para falar de propaganda disfarçada, que na verdade se chama product placement, ou da forma como produtos são expostos em pontos de venda. Já no mercado musical, merchandising significa algo bem específico: a linha de produtos criados pelo artista e comercializados diretamente para os fãs.
Essa prática evoluiu muito: na era MySpace, merchandising era quase sempre uma mesa improvisada na saída do show, com camisetas e CDs. Hoje, temos e-commerces integrados a redes sociais, drops limitados, colaborações com marcas globais e até produtos virtuais. Para artistas independentes, isso significa diversificar a renda além do streaming (que paga pouco) e dos shows (que são sazonais).
O que e como vender?
1. Tipos de produtos:
Aqui a questão não é apenas o objeto, mas a função que ele terá para o fã.
Produtos para “usar”: São a bandeira pública da sua tribo. Quando um fã veste sua camiseta, está dizendo ao mundo que faz parte do seu movimento.
Exemplos: camisetas, bonés, ecobags, pulseiras, pins.Produtos de decoração e coleção: Ficam na intimidade do fã e carregam memória afetiva. São lembranças de shows, álbuns marcantes e status dentro da comunidade.
Exemplos: quadros, pôsteres, vinis, canecas e action figures.
2. Categorias de preços
A estratégia mais eficiente é oferecer um mix de opções para diferentes perfis de fã:
Barato (R$5-30): adesivos, pins, copos, pôsteres, palhetas
Médio (R$30-150): camisetas, bonés, ecobags, canecas
Caro (R$150-500): vinis especiais, quadros, roupas de edição limitada
Exclusivo (R$500+): itens customizados do universo do artista (como colares, instrumentos assinados ou peças feitas à mão)
3. Exemplos de produtos:
Produtos relacionados ao universo de alguns gêneros musicais.
Rock / Metal: Camisetas estampadas; Bonés e gorros; Patches para jaquetas; Munhequeiras; Pins e bottons;
Público teen / infantil: Mochilas e estojos personalizados; Adesivos e pôsteres coloridos; Itens de papelaria (caderno, caneta, agenda); Camisetas divertidas; Pelúcias ou miniaturas inspiradas no artista.
Instrumental / Jazz / Choro / Erudito: Partituras impressas e edições de colecionador; Palhetas gravadas com logo ou assinatura; Chaveiros em forma de instrumentos; Vinis de tiragem especial; Programas de concerto ou livros de arte ligados ao projeto.
Urbano (Rap, Trap, Hip Hop): Correntes e cordões personalizados; Bonés; Moletom; Balaclavas ou bandanas; Acessórios de lifestyle urbano.
Sertanejo / Forró / Regional: Facas de churrasco personalizadas; Chapéus de vaqueiro ou bonés country; Cintos ou fivelas customizadas; Canecas de alumínio gravadas;
Samba / Pagode: Copos de bar personalizados; Camisas com trecho de músicas; Chaveiro em forma de instrumento musical;
DJ / Música Eletrônica / Clubber: Óculos coloridos ou neon; Pulseiras de festival e colecionáveis; Capas de vinil personalizadas; Adesivos para laptop e cases de equipamentos;
4. Ferramentas e Plataformas
Você não precisa investir alto para começar. Hoje existem várias opções acessíveis:
Print On Demand: Reserva Ink, Chico Rei (Uma Penca), Montink, Gubo
E-commerce próprio: Shopify, Tray, VTEX
Marketplaces: Mercado Livre, Shopee, Amazon
Redes sociais: TikTok Shop
Estratégias de venda:
Ter produto bom não é suficiente. É preciso criar desejo, urgência e narrativa. Algumas estratégias que funcionam:
Campanhas de tráfego pago em Meta Ads, Google Ads e TikTok Shop
Drops e coleções limitadas para gerar escassez
Storytelling no lançamento (a estampa inspirada no álbum, por exemplo)
“Faça você mesmo” e bastidores (Instagram: Banda Tangolo Mangos)
Pacotes especiais (álbum + camiseta + pôster)
Venda nos shows
E-mail marketing e remarketing segmentado
Licenciamento e colaborações com marcas de moda, bebida e acessórios
Casos de Sucesso:
Casos Internacionais
Rolling Stones: The Rolling Stones Official Store.
Iron Maiden: Iron Maiden Official Store.
Travis Scott: Cactus Jack
BTS: Weverse Shop.
Deadmau5: Deadmau5 Store.
Casos Nacionais
Djonga: A Quadrilha.
Fresno: Fresno Store.
Anitta: Anitta Shop
Fernando e Sorocaba: Churrasco On Fire
Caso Independente
Flavour Trip: Flavour Trip Store
Resumão:
Venda de produtos (merch) vai muito além da simples camiseta. É a materialização da sua identidade artística e um pilar para gerar receita recorrente e fortalecer a comunidade de fãs. A lógica é simples: você não precisa de milhões de ouvintes, mas sim de uma base fiel que apoie sua carreira comprando produtos. O segredo está em tratar o merch como um canal estratégico.
Produtos: Ofereça variedade, de itens de uso diário a colecionáveis.
Estratégia: Use a narrativa, crie desejo com drops limitados e impulsione as vendas junto com seus lançamentos.
Foco na Comunidade: O merch é a sua bandeira. Ele transforma fãs em embaixadores da sua música.
E parabéns por chegar até aqui!
Agora me diz: você já pensou em estruturar sua operação de produtos? Qual a maior dificuldade hoje, criar, precificar ou vender? Responde este e-mail e vamos conversar.
Na próxima edição, vamos falar sobre TikTok Shop para Artistas e como usar anúncios de forma estratégica sem jogar dinheiro fora.
E se você quiser apoio para estruturar sua estratégia de merchandising, aqui na Vemus Lab a gente cuida do que você precisa: planejamento, estratégia e campanhas de venda. Chama no WhatsApp e bora colocar sua marca no mundo.
Quem vos fala: Vinícius Pinho, formado em Marketing e Publicidade com especialização em Music Business, mais de 6 anos de experiência em Marketing Digital e co-fundador da Vemus Lab, agência-produtora que atua como motor criativo e promocional para artistas, gravadoras e marcas do entretenimento.
Se você está pronto para dar esse próximo passo, vamos conversar. Pode agendar uma sessão estratégica direto pelo meu calendário ou me chama no Whatsapp!
Fontes:
A Teoria dos 1.000 Fãs Verdadeiros - Kevin Kell https://kk.org/thetechnium/1000-true-fans/
Creative Act - Rick Rubin
Marketing 6.0 - Phillip Kotler
Harrison, A. (2021). Music: The Business. 8th edition. London: Virgin Books.
Passman, D.S. (2023). All you need to know about the music industry. 11th edition. London: Penguin.
Billboard. (2025). www.billboard.com. [online]
Complete Music Update. (2025). https://completemusicupdate.com/ [online]
MIDiA. (2025). Music Industry Blog. [blog] https://musicindustryblog.wordpress.com
Music Business Worldwide (MBW). (2025). Music Business News. [online] https://www.musicbusinessworldwide.com/category/news
Music Week. (2025). News. [online] https://www.musicweek.com/news

