Bem-vindo(a) à nona edição da Decifrando o Marketing Musical!

Hoje temos um convidado especial aqui na newsletter: Rodrigo Prates, compositor, escritor, músico e professor por trás do Zuando Som, projeto de música infantil que há mais de 20 anos transforma educação e arte em experiências significativas para crianças e famílias. Rodrigo acaba de gravar um álbum inteiro à distância, com ele nos EUA e seu produtor circulando entre Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Uma prova viva de como a tecnologia mudou radicalmente o processo criativo.

O Zuando Som vai além da música infantil tradicional: é um conceito educativo que valoriza a inteligência das crianças e revela o cotidiano infantil de forma lúdica. Rodrigo lidera o projeto ao lado da pedagoga Paula Cardoso, desenvolvendo uma metodologia inovadora para ensino da Língua Portuguesa através da música.

Neste texto, Rodrigo compartilha sua visão sobre o marketing musical a partir da trincheira do artista independente: os desafios reais, as adaptações necessárias e as dicas práticas para quem está construindo carreira neste mercado volátil. Vamos ao que ele tem a dizer.

Por Rodrigo Prates, Zuando Som (Instagram)

O futuro da música ou dos artistas?

A pergunta deixou de ser "qual o futuro da música?". A música vai sempre continuar, seja em qual formato for. A verdadeira questão é: qual será o futuro dos artistas?

Como sobreviver financeiramente quando, pouco a pouco, somos tirados de um tabuleiro em que apenas os grandes jogadores decidem até quem pode entrar na partida?

Zygmunt Bauman descreveu a modernidade líquida como um tempo em que tudo escorre pelas mãos e a música, hoje, é um exemplo claro disso: fluida, disponível, mas também volátil, descartável.

Tempos malucos exigem atitudes extremas. Qual a sua?

10 dicas de quem vive o marketing musical na prática

1. Use a tecnologia a seu favor

Grave, produza e distribua mesmo à distância. O mundo digital permite colaboração global sem barreiras físicas. Acabei de gravar um álbum inteiro sem nunca ter visto meu produtor presencialmente. A presença física tornou-se quase uma escolha.

2. Mantenha sua essência

Adapte-se às mudanças, mas nunca abra mão da sua identidade artística e da mensagem que deseja transmitir. Não dá para lutar contra a evolução desenfreada, mas você pode escolher como surfar essa onda sem se afogar.

3. Foque na emoção, não só no algoritmo

Compor para tocar pessoas é mais valioso do que criar apenas para métricas ou tendências passageiras. A distância que antes impedia as gravações hoje vira conteúdo para as redes sociais, mas o coração da música precisa continuar intacto.

4. Conheça seu público

Entender quem ouve sua música ajuda a direcionar estratégias de divulgação e fidelizar fãs de verdade. Não basta ter números, é preciso saber quem está do outro lado da tela.

5. Seja independente e estratégico

Assuma controle sobre sua carreira, desde distribuição até marketing, tornando-se seu próprio mecenas. As informações estão por toda parte. Use-as.

6. Aprenda com a indústria, mas não dependa dela

Use dados, tendências e ferramentas profissionais, mas não sacrifique sua autonomia artística. É tão fácil gravar um disco entre países diferentes quanto é fácil buscar dados sobre o mercado.

7. Planeje para o longo prazo

Construir uma trajetória consistente é mais importante que perseguir apenas o hit do momento. Hits vão e vêm, mas uma carreira sólida exige visão de futuro.

8. Aceite a volatilidade do mercado

Hits vão e vêm, plataformas mudam. Prepare-se para navegar com flexibilidade. O ser humano tem uma capacidade impressionante de adaptação, ainda mais quando é, em parte, beneficiado por ela.

9. Valorize o tangível e o intangível

Mesmo na era digital, lembre-se da força do físico: vinil, encartes, apresentações ao vivo. E principalmente da conexão humana. A experiência de escutar uma canção atrás da outra, na ordem pensada por quem criou a obra, ainda tem valor.

10. Transforme desafios em oportunidades

Crises e mudanças radicais podem ser combustível para inovação e novas formas de expressão. A internet, criada em meio à guerra, continua travando suas batalhas, ora para o bem, ora para o mal. Escolha de que lado você quer estar.

Resumão

O marketing musical hoje exige que artistas independentes se tornem seus próprios mecenas, usando tecnologia e estratégia sem perder a essência artística. A experiência da música mudou radicalmente: álbuns viraram playlists algorítmicas, o físico deu lugar ao digital, e a indústria se concentrou ainda mais nas mãos de poucos players.

Para sobreviver neste cenário, é preciso equilibrar três pilares: dominar as ferramentas digitais (gravação à distância, distribuição, dados de mercado), manter autenticidade artística (compor para tocar pessoas, não apenas para métricas), e planejar estrategicamente (construir carreira de longo prazo, não apenas perseguir hits).

A volatilidade do mercado é realidade. A questão não é mais "qual o futuro da música?", mas sim "qual o futuro dos artistas?". Quem navega essa transformação com flexibilidade, estratégia e coração consegue transformar desafios em oportunidades reais de crescimento.

Como disse Rick Rubin: "A obra real do artista é um modo de estar no mundo."

E você, como está navegando estas transformações do mercado musical? Qual dessas dicas mais ressoa com sua realidade? Responde este e-mail, quero saber sua visão.

Quem vos fala: Vinícius Pinho, formado em Marketing e Publicidade com especialização em Music Business, mais de 6 anos de experiência em Marketing Digital e co-fundador da Vemus Lab, agência-produtora que atua como motor criativo e promocional para artistas, gravadoras e marcas do entretenimento.

Quer se aprofundar nas estratégias de marketing musical? Trabalho com desenvolvimento estratégico de campanhas, gestão de tráfego pago e social media para artistas que querem dar um boom na carreira.

Se você está pronto para dar esse próximo passo, vamos conversar. Pode agendar uma sessão estratégica direto pelo meu calendário ou me chama no Whatsapp!

Fontes:

"The Creative Act" - Rick Rubin - sobre o processo criativo e a conexão artística.

"A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica" - Walter Benjamin - ensaio sobre como a reprodução técnica transforma a experiência da arte.

"Dialética do Esclarecimento" - Theodor Adorno e Max Horkheimer - sobre a mercantilização da arte na indústria cultural.

"Modernidade Líquida" - Zygmunt Bauman - análise sobre a fluidez e volatilidade do mundo contemporâneo.

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